Conflitos ou desastres forçam 78 milhões de crianças a deixarem a escola

Conflitos ou desastres forçam 78 milhões de crianças a deixarem a escola

  17 Feb 2023  

Conflitos, desastres climáticos ou deslocamentos forçados levam 78 milhões de crianças a não irem à escola em todo o mundo, enquanto outras dezenas de milhões não recebem aulas com regularidade, alertou hoje o secretário-geral da ONU, António Guterres.

O diplomata português deixou este alerta durante a conferência de doadores Educação Sem Demora (ECW, na sigla em inglês), que decorreu esta quinta-feira em Genebra e que levou estados e setor privado a concordarem em contribuir com pelo menos 770 milhões de euros para o fundo das Nações Unidas para a educação de emergência, noticiou a agência Efe.

O responsável das Nações Unidas, que participou através de uma mensagem de vídeo, sublinhou que a educação não pode ser negada a ninguém.

Para Guterres, “a educação é o melhor investimento que se pode fazer para um futuro mais pacífico e sustentável”, noticiou o portal ONU News.

Desde que foi fundada em 2017, esta iniciativa permitiu que sete milhões de crianças em situações de crise recebessem “a educação que merecem”, sublinhou.

Mas, realçou Guterres, as necessidades continuam a multiplicar-se com um crescente número de emergências que forçam as crianças a saírem da escola.

Em todo o mundo, 222 milhões de crianças e adolescentes são afetados por guerras, desastres ou deslocamentos forçados.

O aumento de conflitos, as alterações climáticas e as consequências da pandemia de covid-19 estão a exercer pressões incalculáveis sobre as economias, sistemas educacionais e assistência internacional.

A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, que visitou o Afeganistão há algumas semanas, também enviou um vídeo ao evento, acrescentou a ONU News.

A responsável lembrou que, há mais de 500 dias que o Governo talibã no Afeganistão está a negar a meninas e jovens os seus direitos básicos à educação.

Para Amina Mohammed, esta situação deve terminar imediatamente.

Numa outra mensagem de vídeo, a ativista paquistanesa e vencedora do Prémio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, recordou a altura em que não podia ir à escola por causa de uma proibição semelhante.

Malala Yousafzai contou que, quanto mais tempo estava sem estudar, mais preocupada ficava porque sabia que seria esquecida.

“É exatamente isso que está acontecendo no Afeganistão”, salientou.

Já o enviado da ONU para a educação no mundo, Gordon Brown, chamou a atenção para um número elevado e inédito de “crises interligadas no mundo”.

O diplomata, citado pela Efe, calculou que o dinheiro destinado ao fundo ECW pode chegar a mais de 20 milhões de crianças nos próximos quatro anos, triplicando o seu alcance atual.

O objetivo do fundo global ECW é angariar pelo menos 1.500 milhões de dólares (cerca de 1.400 milhões de euros) para cumprir o seu Plano Estratégico 2023-2026.

O evento, que termina esta sexta-feira, é organizado com a colaboração dos governos da Colômbia, Alemanha, Níger, Noruega, Sudão do Sul e Suíça.

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